domingo, 19 de fevereiro de 2012

Epitáfio


        

            Dificilmente vou te dizer a verdade. Dificilmente vai ser possível descobrir. Nada me faz mais nervoso do que te ver todos os dias. E quando não vejo, sinto vontade de sair gritando pelo mundo, bater na porta de sua casa e finalmente dizer tudo o que sinto. Dificilmente vou demonstrar a perplexidade desse sentimento mutuo que se acumula dentro de mim. Dificilmente vou falar pra alguém o que sinto amargo e doce ao mesmo tempo com muita loucura e lucidez. Tão perto, tão longe... Sentimento que desacelera conforme eu paro de pensar, mas se lembrar de você reaviva meus piores medos, meus melhores monstros, meus piores ensejos, meus melhores sonhos...
            Dificilmente a pura delicadeza dessa espécie de coração que bate em ritmo acelerado vai ser descoberto. As vezes olhando as nuvens e possivelmente vendo teu nome escrito pelo veludo delas. E quando a noite vem, a lua que não existe da lugar ao brilho das estrelas, e procuro no espaço, no universo, num simples fator luminoso a galáxia que corresponda sua sintonia... Pura magia vivenciada apenas por mim. Talvez com você seja assim... Mas quem de nós vai ceder? Quem de nós vai dizer a verdade?
            Dificilmente eu vou deixar alguém ler isso, e comigo vai pra o tumulo... Onde hoje já apenas meus ossos agarrados a esse pedaço de papel que foi decomposto pelo tempo... Dificilmente vou dizer a verdade.